quarta-feira, 18 de junho de 2008

Toc Toc Toc!

Dor nas costas. Abro lentamente os olhos e observo o apartamento de um lado ao outro. As paredes não estão limpas, e exibem um amarelo que apenas a poluição da cidade de São Paulo poderia presentear. A visão do resto do apartamento me absorve. Pequeno e desajeitado. O aluguel, por certo, deve ser baixo. Tal a minha certeza, que desisto de olhar a paisagem da parte externa pela janela.

“Toc Toc Toc”

Esse barulho. Parece que já o escutei alguma vez. Hoje, a vida pareceu-me tão nova que questiono se estou em meu lugar. Sinto frio e noto o braço de uma mulher em minha cintura. Carrega uma aliança em seu dedo. No meu dedo, uma aliança igual. Balanço a cabeça e resolvo voltar a dormir. É possível sonhar que se está sonhando?

“Toc Toc Toc”

Esse barulho. Passou-se menos de cinco minutos. Cinco minutos apenas e o mesmo barulho voltou a incomodar. “Toc Toc Toc Toc Toc Toc “Toc Toc Toc”. Insuportável! Sonhando ou não, se esse barulho ou, seja lá o que for, ressoar de novo na porcaria de meus ouvidos, descobrirei o que é. E, esse braço envolto em minha cintura? Vejo de relance um corpo apegado ao meu, como que protegendo-me. Ao olhar para o rosto tenho uma boa surpresa, ela é bonita. Tem a pele clara, cabelos e olhos castanhos. “Oi amor”, diz ela.

Como não a conheço, nada digo. Beijo-a desejoso de saber o seu sabor. Em menos de um minuto, somos um só. Sorrindo, ela se levanta para tomar banho e diz que irá trabalhar. “Veja se o senhor não perderá a hora!”. Tão rápido quanto possível, adormeço. Ganho um beijo e escuto um adeus. Sozinho, me entrego à cama.

“Toc Toc Toc”

“Vou resolver isso agora. Eu matarei esse infeliz”

Abro a porta e tenho a sensação de olhar para o espelho. Vejo a mim mesmo? “O que vc quer?”, digo rispidamente. A estranha figura entra e segue em direção à cozinha. Lá, a mesma mulher que houvera saído, está abraçada a esta cópia. Minha cópia! “Desgraçado, canalha!”, esbravejo e não obtenho resposta.

Jogo-me em cima da cópia e o esbofeteio como se fosse essa a razão que procurei durante toda a minha vida. Meus golpes são em vão. Imóvel, minha vida passa à minha frente e nada faço. Procuro refletir, talvez seja alguma brincadeira de meu inconsciente. Contudo, não era. E eu, alguma vez fui? Vou ao velho sofá e me sento. Irrealidade.

Um comentário:

Carolina Lima disse...

adorei aqui, li um pouco de cada coisa...to meio com pressa de noite leio mais...mas considere-se meu favorito!
beijosss
visista o meu
www.ispiratelove.blogspot.com

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