quinta-feira, 26 de junho de 2008

Sombras

Poucas são as coisas que aprazem P.L.. De forma recorrente recorda que já foi mais feliz. Não obstante, sentiu-se um dia mais humano. Hoje, o sol lhe queima a pele como o castigo de uma chibatada. Soa como se fosse uma penalidade devido à alguma falta que desconhece. Em verdade, tampouco quer conhecer. Alguém tem interesse em saber a culpa que carrega?

"A vida mergulhada em ignorância é mais fácil", não cansa de repetir a si mesmo. Não há nada demais nessa observação, todos sabem. É o senso comum. Por outro lado, há séculos P.L. procura a solução para o barulho dos pensamentos que urgem em sua cabeça. As Idéias queimam. Em um instante visualisa o quanto de errado existe em sua vida e no que vê. Noutro minuto, lamenta que a lobotomia criada pela sociedade moderna não tenha funcionado consigo. Loucura, leitor? Não, infelizmente. Não há piedade para pensar.

Cortinas fechadas. Louça ao teto. Odor fétido no quarto alugado na região mais insalubre de toda insalubridade. Esta é a vida de P.L.. Chora. Com um pano cobre o último espelho, sua única testemuna, não sem antes se despedir de sua sombra, que não tarda, também há de lhe abandonar:

" Escurecerá. E com a noite todo rumor das idéias se calará".

Quem sabe, sobrará apenas o ruído noturno. Os gritos ébrios. Os gemidos de prazer. As sirenes de policia. Deita-se na cama P.L.. Toma alguns comprimidos para dormir. Será o suficiente? Fecha os olhos e não permite que nenhuma idéia surja. Dias sem dormir. Logo o sono vem. Tranquilidade ou ilusão?

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