O plano consistia em P.M. contrariar qualquer senso de convivência em família, além de não colaborar em nada com “eles”. Pois, “eles”, para P.M. representavam todos os outros que não ele. Sabia que deveria ser rígido, portanto, decidiu que só entraria em casa para tomar banho a cada dois dias. Dormiria na rua mesmo.
Após três semanas, o plano era tão próspero que P.M. nem precisava mais dormir ao relento porque todas as noites os policiais do distrito lhe guardavam uma cela em que tinha companhia e carinho. A única questão que P.M. objetava eram dores no corpo. Mas, o caminho estava traçado e seria livre.
Cansado da parcimônia de P.M, o delegado resolveu indagar porque ele não ia simplesmente embora da casa que tanta infelicidade lhe causava: “Pegue suas coisas e vá seguir o seu rumo. Pare de história!”
“Só saio com papel. Só com Papel!”, bradava o negociador.
E o esperado mais inesperado de sua existência aconteceu. Cansado, entre uma garrafa e outra, decidiu escutar um pouco de música em sua casa. Ligou o volume no máximo e incomodado com o silêncio familiar resolveu quebrar alguns utensílios da cozinha. No meio de seu trabalho a campainha toca. Campainha ou algo semelhante, pois a música estava alta e não permitia a distinção perfeita entre os sons. Um policial pediu para que P.M descesse a escada. Cansado de negociar, mas ávido por emoção, o negociador dispara: “Eu não vou sair daqui. Seu lixo. Sou eu que pago o seu salário. Eu sustento você!”
“O senhor desça, por favor”
“@##%&%¨&¨&¨&¨”
“Teremos de subir”, avisa o policial.
O negociador silencia. Porque o desgaste? Vira as costas e sobe as escadas na direção de seu quarto. Como se nada houvesse ocorrido, deita-se na cama. A esposa estava escondida no banheiro. Ascende um charuto e olha a fumaça no ar. Os policiais entram, arrancam o charuto de sua boca e o algemam. P.M. é arrastado pela escada e posto em uma viatura: “Me escutem! Sou eu que pago vocês!”. No dia seguinte, o negociador foi demitido.
sábado, 21 de junho de 2008
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