terça-feira, 24 de junho de 2008

Life Is Killing Me

Quebraram o muro de frente à minha janela. Não seria importante. No entanto, o sol e o calor teimam inundar o cubículo em que moro. Me sufocam. Pensei em colocar cortina, mas a simulação da realidade que representa o utensílio me levou à negativa. Afinal, uma cortina sempre esconde e dissimula. Quanto a mim, prefiro ver. Mesmo que não veja nada.

Fui ao proprietário reclamar. O problema não era dele. Escrevi a um jornal local algumas cartas. Após prolongada insistência, disse-me o editor para que dormisse no banheiro. A idéia, que já fora cogitada sem sucesso, havia até saído de minha memória. Sobremaneira, lhe agradeci a gentileza:

"Obrigado pela ajuda!"

" Vá a merda! Seu louco!"

Desligou. Permaneci ouvindo o som de ocupado no telefone. Deixei fora de uso para evitar que o improvável acontecesse: alguém ligasse. Caiu o dia. A noite se erguia em escuridão. Vida? Fumei e fumei. Abri uma garrafa de vodca barata. Limpei o primeiro copo que vi com a camiseta que usava. Um, dois, três. Silêncio. Levanto e ligo o som. Um sujeito de voz grave repete: "I Dont Wanna Be Me". Concordo plenamente. Bebo mais alguns copos que faço questão de não contar. Imagino que se um infeliz pode ser músico e esconder sua nulidade em notas musicais, deve haver espaço para que eu também me encubra.

Euforia na rua. Televisão. Carnaval. Bundas. Samba. Corpos suados. Me masturbo pensando na vadia pelada da tv. Gritos lá de fora me chamam à realidade. Realidade? Retiro todas as lâmpadas de minha casa. Abro a janela. Apanho o aparelho televisor e o deixo cair, como se fosse um simples pedaço de papel. Ouço mais gritos. Travo a fechadura da porta com a cadeira. Coloco a mesa sob a janela. Por certo, o sol não incomodará mais. Sento-me debaixo à mesa e fumo outro cigarro. O dia amanhece. Para mim tudo continua escuro.

Nenhum comentário:

Procure na Web

Pesquisa personalizada
Powered By Blogger