Já foi dito aqui que a decadência é um dos assuntos de maior interesse do Estivador. Ela integra a existência, talvez de uma maneira não tão negativa quanto se imagina. Por exemplo, meses atrás, conheci um casal que morreria pelo outro. Quando se olharam pela primeira vez, entre lágrimas, agradeceram ao Eterno a sorte de terem se encontrado.A sorte os acompanhou durante 17 dias.
Ela era uma explosão. Ele era um vendaval. O leitor, que por certo possui mais de dois neurônios, logo perceberá a possibilidade que um abrandaria o outro e o acordo comum seria o evidente caminho a seguir. Serei mais claro, a mulher do casal, M. e o Homem, H, possuíam as mesmas características, mas em intensidade contrária.
Se ao longo dos primeiros 7 dias, os elementos encaixavam-se tal qual uma equação matemática resolvida corretamente, no oitavo, sem qualquer motivo antecessor, farpas eram disparadas sem direção:
“ Vc é uma gananciosa!”
“ O que vc quer? Viver de ideologia? Quero que nossos filhos passem férias na Disney! Isso mesmo! Na Disney!”
“Disney?”, questionava H. indignado. “Vc quer que meus filhos sejam alienados?”
“Ok. Vamos levá-los ao Museu do Louvre. Assim vc pode explicar para uma criança pequena as técnicas de luzes de Monet. Fantástico!”
“Qual a graça nisso?”
“Patético!”
“Patético. Eu?”
“Vc quer viver de ideologia?”
Ideologia ou Ganância, o casal entrou o oitavo dia de convivência discutindo sobre os filhos ainda não existentes e viagens vindouras. Tudo era motivo:
“ To cansado. Desisto. Não quero ver um relacionamento perfeito transformar-se nisso.”, disse H.
“Concordo com vc! Além do que fui convidada para uma festa e o Senhor Ideologia jamais iria querer ir.”
“E porque vc não vai?”
“Eu vou mesmo! Cansei. Te digo isso: a panela explodiu!”
H abriu o roupeiro e coloca em sua mochila as poucas coisas que trouxera para o apartamento que ainda não morava. M. Chorava com o rosto pressionado contra o travesseiro. Silenciosamente H. saiu. Não houve batida de porta, nem um adeus provocativo. Não houve nada. A mesma paisagem do quarto de M., já habituada a presença de H., retornou ao passado. Liberdade ou Lágrimas?
quinta-feira, 19 de junho de 2008
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