terça-feira, 17 de junho de 2008

A Grandiosidade de T.

Está decidido desde sempre que quem fica parado é poste. No meu bairro, na carismática e amada/odiada cidade de São Paulo mora um cara que viveu durante cinquenta e quatro anos e alguns meses encostado num portão. Um senhor de nome T. (Aliás, fica decidido tb, desde sempre, que nesse blog(?) não serão citados nomes, apenas iniciais) Portanto, prazer, meu nome nome é Estivador(E?), mas poderia-me chamar-me de várias maneiras. Costumo, inclusive, perder horas de meus dias imaginando nomes mais interessantes que meu próprio.

Falávamos do T., não? T. é um sujeito bigodudo que gostava de bolinar todas moças que trabalhavam na limpeza de sua casa. Decidiu, precocemente, que seria um comerciante de sucesso e ganharia muito dinheiro. Visando colocar em prática sua "empreitada", dirigiu-se ao banco e sacou todos rendimentos de sua mãe, dona R. Pois não é que a visão comercial de T. era aprimorada? Em seis meses transformou a garagem da sua casa no depósito de bebidas mais famoso do bairro em sua imaginação! A pequena garagem mal suportava tamanho fluxo de clientes! Sua mãe todo dia agradecia ao pequeno furto que sofrera na igreja em que conversava com a imagem gigantesca de um senhor na cruz: " ohhh, meu querido filho! o que seria de sua mãe se não fosse por você".

Tudo era fantástico e um dia T. foi trabalhar e sua loja estava como sempre estivera durante esses meses: Vazia. Mesmo assim, T. não cansava de imaginar o bando de gente que entrava e saía, entrava e saía. Pouco depois do almoço, a realidade o chamou com a sirene da polícia. Os policiais entraram e levaram T. Mercadorias roubadas? Estelionato? Ninguém sabe. Mas é de conhecimento de todos a figura de T. balançando uma mão em gesto de grandiosa despedida. Sua mãe diz que ele se considerava um homem de sorte e adorado por todos. Sua outra mão mantinha em segurança uma garrafa de aguardente.

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