Logo ao descer do ônibus, L. reparou que alguém a aguardava na porta da indústria. Vestia um jaleco branco, aparentava ter entre 40 a 45 anos. Seria seu chefe?
“Bom dia”, disse L.
“Vc está atrasada. A hora aqui de entrada já passou há 15 minutos. Vc sabe a que horas entra?”, disparou o supervisor.
“Sei sim, às 8 horas”
“Repita!”
“Como?”
“Repita: a que horas vc entra?” berrou.
“As oito”
Leitor, leitor. É possível imaginar o drama de L.? A estagiária passou de sonho à pesadelo em menos de 15 minutos e agora se encontrava desnorteada. “Apenas 15 minutos! Era o meu primeiro dia”. Controlou as lágrimas e entrou rapidamente. Caminhava pelo corredor em sentido ao banheiro. Lavaria o rosto.
“Seja rápida. Hoje vc fará serviço externo”
“Aonde? Ninguém me avisou disso...”
“Bem, se vc quiser, tem um jaleco no vestiário. Seja breve. Vc vai junto com uma equipe verificar como está a limpeza do rio Pinheiros. Nossa empresa é a responsável.”
O vestiário era escuro. Cheirava a urina e fezes. L entrou em um banheiro para urinar, mas não conseguiu. O vaso sanitário estava todo manchado com merda. O lixo há muito tempo não limpo transbordava e o piso tornara-se pegajoso” Ai que nojo”. Arrumou-se o mais rápido quanto possível e foi para o caminhão que a aguardava.
“Posso ir à frente?”, perguntou ao motorista.
“Não princesa. A equipe toda fica na caçamba”
L. deparou-se com um grande empecilho ao chegar na caçamba: não conseguia subir. Por outro lado, também não notava disposição de algum funcionário em ajuda-la e eram mais de 30 homens.
“Alguém poderia me ajudar?”
“Claro”, disse um senhor de poucos dentes.
“Só ajuda, se ela sentar no meu colo”, escutou sem saber a direção.
“Se eu pego essa aí é hospital. Pode anotar: hospital”
“Hahahahaa”, riram todos.
Contrariando as expectativas, otimistas (certamente) de L., o repertório de piadas grotescas não acabou brevemente. A chacota durou a viagem inteira, com momentos de intensidade e pornografia insustentáveis. Além disso, o balanço era incomodo e dava náuseas.
sábado, 28 de junho de 2008
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