L. sonhou com um estágio na área de seu curso na faculdade desde o primeiro semestre. Cursava química em uma universidade tradicional e já estava no terceiro ano. Foi com muita felicidade que participou de uma seleção para um estágio que pagava mal, mas ao menos lhe daria um pouco de experiência para concorrer à uma vaga de emprego no acirrado mercado profissional que tanto almejava.
No dia da entrevista, escolheu sua melhor roupa, pois passaria a impressão do quanto desejava aquela vaga. Com menos de um metro e cinqüenta, procurou um sapato bem alto para poder aparecer aos olhos do entrevistador. A estratégia obteve sucesso. Em meio a uma dinâmica com 15 outras estudantes, L. foi a escolhida.
O leitor não pode imaginar a glória da pequena L.. Ao chegar em sua casa, foi saudada como uma futebolista campeã do mundo. Com direito a frases entusiásticas de sua mãe, N., uma senhora que passava seus dias trabalhando em uma loja de roupas usadas.
“Filhinha, meu anjinho, a mamãe está tão contente. Você conseguiu. Agora a vida vai te trazer tudo o que vc merece.Vc vai ver!”
“Ai mãe. Não foi fácil, mas eu me esforcei, viu? A senhora vai ver, logo vou trabalhar numa indústria de cosméticos. A senhora vai ver!”
Caso soubesse a surpresa futura que esperava sua filha, por certo N. não teria afirmado que L. teria tudo o que merecia. Quem sabe, teria dito que tudo sempre melhora, que a vida é assim ou qualquer outra frase do vocabulário comum de frases comuns. Porém a história foi outra.
Os dias passaram e o início de L. no estágio salvador era em uma segunda feira. Era domingo. Calmamente, escolheu L. um blaiser preto. Discreto, mas que tivesse classe. Pensava em se destacar desde início. Na verdade, já imaginava futuras promoções ou elogios que receberia:
“ Nossa empresa não funciona sem vc L.”, diria um.
“Vc nasceu para cargos maiores”, diria o outro.
“A L. alia inteligência, competência e beleza numa única funcionária!”, outra complementaria.
E assim seguiu uma vasta lista de (auto) elogios até a manhã de segunda. A trajetória ao trabalho demorou quase duas horas. A empresa ficava em uma cidade vizinha. Apesar da grande ansiedade, L. não se importou. Foram duas horas livres em que sonhou com todo o grande futuro que estaria se iniciando ali, naquele mesmo momento, dentro do ônibus:”É preciso esforço para superar as dificuldades iniciais”, pensou.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
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