Nasci com a sorte de não ser, definitivamente, um gênio. Caso eu fosse inteligente, passaria horas de minha existência vazia a pensar o vazio de outras existências vazias. Profundo? Sim, leitor, profundo como uma piscina de meio metro. Porém, sociedades que idolatram Paulo Coelho e Paris Hilton mergulham mais do que 1 centímetro para imaginar qual é o sentido?
Quinta-feira passada, uma garota que lê este blog me perguntou se o Estivador não considera o simples fato de existir a prova da ausência de sentido em nosso viver:
“Estive, vc não acha a existência humana um absurdo?”
“Depende... que sacolas são estas?”
“Sacolas... Eu estava no shopping...”
“E porque vc não perguntou ao vendedor sobre isso?”
“Ele não saberia responder!”
“E vc saberia entender?”
“Cavalo!”
“ Ei... vc sabe o que é o açougue?”
“ Não!”
“Olhe ao seu redor. Veja as pessoas desse shopping que vc foi, por exemplo.”
“Não entendi. Mas, para mim, sei que é importante para todo mundo ter boas roupas, ter dinheiro”
“Claro! Claro! Mas, vc parece um pedaço de alcatra exposta no açougue.”
“Cavalo!”
E lá se foi a Alcatra, enraivecida sem saber o motivo. Falando sério, cheguei a conclusão que vivemos num açougue gigante. Demorei 573 séculos para perceber isso! Ok, tudo bem. Se eu fosse um gênio, teria me matado. Como sou um estúpido, ironizo minha própria dor. No entanto, o leitor não pode ignorar a sensação inóspita de existir em um mundo repleto de carnes em exposição, todas expostas, nuas e cruas, com seus devidos preços. Carne, apenas carne sem conteúdo.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
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